O Herege da Camisa CINCO

Quem entende de futebol costuma denominar as posições de de campo pelo número clássico da camisa usada naquele setor. Os amantes do esporte bretão rapidamente entendem quando são usadas as expressões: “meu time precisa de um camisa dez”, “meu time precisa de um nove”, ou ainda “meu time precisa de um cinco”. É de fácil entendimento que tais camisas referem-se, respectivamente, a um meia organizador, um centroavante e um volante.

Ao longo de sua história, o futebol teve algumas camisas imortalizadas. Ei-las: a 10 de Pelé, a 9 de Sandro Sotilli e, a mais clássica delas, a 5 de Wilson Matias.

É notório que a CINCO, a camiseta mais mítica do futebol, está associada à volância. Qualquer jogador que tenha a honra de portar às costas o lendário número cinco deverá, primeiro e antes de tudo, pensar em marcar. Deverá pensar em defender. Deverá ser um bom e velho volantão.

Nem todos seguiram essa máxima à risca. Um ser humano ousou desafiar as leis da cautela. Seu maldito nome: Zinedine Zidane.

Zidane desfilava a empáfia de um meia faceirinho pelos clubes que jogou usando a sagrada camisa cinco às costas. O anticristo francês marcou QUARENTA E NOVE gols usando a camisa que um dia já foi de Don Diego Simeone e de Wilson Espetacular Matias.

Zidane desonrou a mais sagrada das camisas do futebol. Zidane foi um inimigo travestido de aliado. Zidane foi um púria que teve a audácia de nunca ter sido volante e jogado durante anos com a camisa nº 5.

Mas, para tristeza do faceirinho francês, os deuses da cautela não perdoam jamais. Embora vestisse a dez pela seleção da França, o último jogo da carreira de Zidane seria pautado pela tragédia. Na final da Copa do Mundo de 2006, após provocação de Materazzi, Zizou perdeu a cautela e desferiu-lhe uma cabeçada que custaria o título da Copa aos franceses.

Não se deve NUNCA desafiar os poderes da mítica camisa número CINCO. Zinedine Zidane, a tua heresia foi castigada. Zinedine Zidane, a cautela, mais uma vez, venceu.